Dra. Nise Yamaguchi: competente, corajosa e determinada em uma tempestade perfeita

 

P. Como coordenador do site ippocrateorg.org pelo Brasil e pela América Latina (junto a um médico chileno), me interessa conhecer a sua posição sobre as muitas questões ligadas à pandemia da Coronavírus. Além disso, o meu site está interessado em aprofundar o caso da sua suspensão do Hospital A. Einstein em que trabalhava e defender eventualmente a sua posição de especialista e pesquisadora. De que se ocupa atualmente a Sra. depois de ser suspensa?

R.: Primeiramente eu gostaria de contextualizar a minha atividade no Brasil. Eu sou imunologista e oncologista, Diretora do Instituto Avanços em Medicina e Presidente do Instituto Nise Yamaguchi, entidade recém-criada para ajudar na divulgação da pesquisa clínica e atuar em diversas áreas. Temos parcerias em células troncos, células Cart-cel, a parte as pesquisas de medicina personalizada e de precisão. Como médica independente, eu tenho também atividades em inovação na Universidade de São Paulo e assistência médica em alguns Hospitais. Escolhi como base dos meus pacientes o Hospital Israelita Albert Einstein, mas atendo também no Sírio Libanês e na Beneficência Portuguesa. Com isso eu atendo os meus pacientes oncológicos no Hospital Albert Einstein, atendo também pacientes imunológicos porque sou imunologista e, baseada nessa formação, tratei muitos casos de AIDS e câncer nos anos ‘80 e também durante a pandemia do H1N1. Dirigi um setor do Gabinete de Crise do Estado de São Paulo. Eu era representante do Ministro da Saúde para o Estado de São Paulo. Tenho experiência em saúde pública. Ajudei a passar (no Congresso) todas as ações de luta contra o tabagismo no Brasil. Trabalho em vários Foros mundiais, junto a um grupo em Lyon (França) e às Sociedades Americanas e de câncer do pulmão no mundo inteiro.

Quando começou a pandemia eu já estava no Hospital Albert Einstein, mas eu fiz parte de um grupo de estudos de cientistas independentes que decidiram estudar as diversas fases da doença, e detectar que aqueles que pudessem ser tratados precocemente poderiam ter consequentemente uma evolução melhor.

O Hospital Albert Einstein tem um grupo de pessoas que definem as condutas internas e começaram a fazer pesquisas, focadas principalmente sobre casos em fases moderadas e graves, com hidroxicloroquina em um braço e hidroxicloroquina e azitromicina no outro.

Esse grupo é mais formado por intensivistas e infectologistas e acabou tendo uma parte importante no debate em curso no País. Eu participo também de atividades em diferentes Sociedades médicas. Sou Diretora da Associação Brasileira de Mulheres Médicas e da Associação Paulista de Medicina e Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.

A minha posição virou então muito pública e comecei a ser questionada dentro do Hospital A. Einstein, que eu não podia me posicionar em nome do Hospital, o que gerou um certo desconforto e quando houve uma proibição para o uso da hidroxicloroquina e da cloroquina dentro do Hospital, isso confirmado pela mídia com fontes seguras dentro no Hospital, eu escrevi uma carta no dia 26 de junho, solicitando que seguissem as posições do Conselho Federal de Medicina e do Ministério da Saúde. Nós tínhamos já previsto a possibilidade de prescrever esses remédios quando o paciente queria e quando o médico assim o desejasse. Eles receberam a carta e não me deram retorno imediato, mas no dia seguinte houve uma mudança do discurso. O Presidente do Conselho do Hospital, dr. Claudio Rothenberg, declarou na mídia que não era uma proibição mas tratava-se mais de uma indicação e que o médico podia prescrever esses remédios. Eu fui, porém, chamada pela diretoria Clínica para conversar e eles confirmaram essa informação. Eles ficaram a partir de então monitorando os médicos que prescrevessem dentro do Hospital a hidroxicloroquina. Com essa indicação ou contraindicação do Hospital, houve uma diminuição do número de prescrições.

Eu estou bastante preocupada com isso, dado que nós estamos em um momento que não estamos conseguindo que a medicação chegue às pessoas mais pobres. O Brasil não tem como fazer um isolamento social em todos os lugares porque têm regiões com uma concentração bastante alta das pessoas. Aí eu fui surpreendida por uma ligação, onde falou-se que eu estaria suspensa a partir daquele momento e que eu teria dado uma declaração de que o medo faz com que todas as pessoas sejam levadas a uma certa passividade. O medo leva todas as pessoas pensando que vão morrer e aí você fica com uma massa de manobra que faz com que as pessoas sejam mais manipuláveis. E que isso aconteceu no engano da narrativa na Alemanha nazista, quando o Governo espalhava mentiras, que acarretavam uma certa passividade nas pessoas. E que isso em nada desmerecia o povo judaico no Brasil.

Eu sou de família judaica, minha irmã é judia convertida, minha outra irmã é casada com um judeu, o meu mentor em Houston foi judeu, Reuben Lotan, no MD Anderson Cancer Center, onde eu fiz parte do meu doutorado. Para minha surpresa eles usaram essa minha declaração literal fora do contexto para me condenar publicamente e dizer que não tem nada a ver com a cloroquina. Então, somente para contextualizar, houve esse movimento por parte da diretoria de proibir a minha entrada no Hospital depois de 35 anos de atividade e agora eles cancelaram isso depois que houve toda essa comoção e repercussão a nível nacional e internacional porque proibiram em um primeiro momento a atividade de um médico e depois cancelaram a suspensão, mas ainda eles pediram que eu ficasse com o debate com relação a parte filosófica (judaica) da questão. Então, hoje às 19:30, vou ter uma live com quem está me defendendo nessa questão.

P.: O que a Sra. acha do lockdown? Era necessário ou poderia/deveria ser substituído por outras medidas?

R.: O lockdown no Brasil, ele foi muito exagerado porque acabou durando muitos meses. No início era porque nós não tínhamos aparelhos de respiração, depois nós queríamos construir Hospitais de campanha. Tentar consertar todo o sistema enquanto se fica com todo mundo fechado. E essa medida se mostrou ineficaz porque não foi suficiente para segurar o vírus, dado que o vírus se espalhou em todos os lugares. Então o lockdown foi por um tempo exagerado, uma questão mais política, um controle estranho.

Por que, por exemplo, as praias, os lugares abertos, as estradas, as ruas, uma questão estranha. Houve um momento em que 95% das cidades não tinha um caso, e estavam em lockdown também. Houve então um colapso geral do sistema.

P.: Em um breve vídeo que circula nas redes o Dr. André Galvão, cardiologista, que trabalha em Rondônia, fala das três fases que caracterizam a doença, que podem ser enfrentadas com terapias especificas já disponíveis para cada uma, reduzindo muito as internações e a letalidade dessa doença. A Sra. conhece esse vídeo? O que a Sra. acha do conteúdo dele?

R.: Eu o conheci recentemente. Noto que cada um tem uma intenção bastante nobre em relação a toda a estrutura do pensamento. Hoje em dia realmente nós já conhecemos as fases e sabemos, por exemplo, que o corticoide ajuda bastante numa fase moderada junto ao anticoagulante. Então nós temos que tratar de forma individualizada o paciente e de acordo com as suas características. Eu acho que nós estamos no Brasil com a questão bastante politizada por causa da questão da hidroxicloroquina, que é a medicação principal da fase inicial da doença e que pode realmente modificar a forma como a doença vai evoluir, e como houve uma briga muito grande em torno dessa medicação, surgiram outros remédios que têm menor capacidade de resposta científica, quais como a Ivermectina e a Annita, que são antiparasitários. Eu não posso concordar completamente com esse protocolo. Mas eu vejo que é uma intenção bastante nobre e que se você caracterizar didaticamente, na grande maioria das partes (desse vídeo) está coerente.

P.: Têm colegas em alguns Estados do Brasil que não sejam o de SP, que têm experimentado terapias similares àquelas indicadas pelo Dr. Galvão?

Sim, a Dra. Marina Bucar, que é uma piauiense e segue muito os estudos na Espanha, teve bastante influência no norte do Brasil, por exemplo no Piauí, no Maranhão e no Pará. Houve também uma quantidade expressivas ali de pessoas que foram adotando alguns desses protocolos, que mencionei. Agora, no Brasil a Hidroxicloroquina e a Azitromicina já estão incluídas nas portarias é o mais indicado para o tratamento precoce da doença e já tem um número maior de dados científicos que corroboram essa estratégia.

P.: A Sra. acompanhou/tratou durante o período da pandemia pacientes com sintomas de coronavírus? Com que remédios e resultados?

R.: A minha função é mais na área da organização: eu tenho uma equipe que trata os pacientes. Nós temos tido uma resposta importante. Além disso, acompanhei detalhadamente um outro grupo muito grande, que trabalhou com 450 mil pacientes acima de 60 anos e 400 pacientes acima de 100 anos. Esse grupo se chama de Prevent Senior em São Paulo e trabalha com telemedicina: eles conseguiram para cada 28 pacientes tratados diminuir um paciente na UTI. O meu grupo direto tratou cerca de 300 pacientes em todo nos últimos dois meses.

P.: E com que resultados? Satisfatórios, parcialmente satisfatórios?

R.: Bastante satisfatórios, principalmente nos pacientes que fazem um uso precoce dos remédios. Eles não tiveram nem toxicidade cardíaca, tivemos o cuidado de acompanhar, e eles tiveram pouquíssima internação. A maioria seguimos detalhadamente, fomos entrando com corticoides também, e houve uma opção de tratar os pacientes clinicamente em casa. Os únicos pacientes que vieram a falecer foram aqueles que já foram internados no Hospital em estado muito grave que então nos chamaram para uma avaliação. Em 98,9% dos casos a gente teve uma boa evolução.

P.: O que a Sra. acha da nota publicada no dia 17/7 pela Sociedade Brasileira de Infectologia, onde afirma-se que o uso da Hidroxicloroquina deve ser abandonado em qualquer fase do tratamento de Covid-19, como resultado de dois estudos internacionais?

R.: Essa nota ela foi imediatamente contestada pela Associação Médica Brasileira, que acha que existem conflitos de interesses evidentes nessa Sociedade e também tem um outro problema importante, dado que a SBI já tinha entrado anteriormente com uma ação no Supremo Tribunal Federal, baseada naquele estudo de 96 mil pacientes da Revista “The Lancet”, que nunca retirou (a ação). E esses últimos dois estudos são prospectivos e baseados em um número muito pequeno no primeiro estudo e um número maior no segundo. Seria um pouco difícil dizer que ela frauda os resultados, somente que ela não chega à conclusão que a análise estatística dá: a estatística dos casos diz de fato que houve um benefício da Hidroxicloroquina, só ele não foi estatisticamente significativo porque o número era pequeno.

Eles avaliaram um número de pacientes menores do previsto e a conclusão que foi repassada para a opinião pública é que os testes não funcionaram. Quando você deturpa a verdade, utilizando dados que a população não consegue compreender adequadamente e afirmando que estatisticamente não teve resultados, porém todas as tendências apontariam a favor da hidroxicloroquina. Se eles tivessem avaliados um número maior de pacientes, você provaria isso e além disso o tratamento não teve toxicidade importante. Então eles deveriam ter dito: “Nós tratamos tantos mil pacientes e não houve toxicidade assim como no estudo da Ford. A Ford nos Estados Unidos mostrou que não houve toxicidade e que houve um benefício significativo, mas o número era maior”.

Então eu concordei que a Associação Médica brasileira viesse a público e se contrapusesse àquela análise que foi feita. Além disso, existe uma outra questão muito importante, que foi a entrada dessa mesma Sociedade com algumas outras com uma ação no Supremo Tribunal Federal para condenar o gestor que prescrevesse as medicações que a Organização Mundial da Saúde não autorizasse. Eu acho tudo isso muito deselegante com relação aos gestores que estão fazendo o possível para tratarem pacientes de um País com tantos problemas. Nós estamos aí numa guerra de narrativas. Como no meu caso, que foi dito que o problema todo comigo eram com os Judeus, o que não é verdadeiro de modo algum. E nós estamos aí nesse debate e infelizmente com algumas percepções de que as coisas deveriam seguir um rumo mais ético.

P.: O que a Sra. acha das orientações do Ministério da Saúde sobre tratamento do Covid-19? São adequadas?

R.: Elas estão sendo revistas, principalmente com relação aos casos mais graves, introduzindo corticoides, anticoagulante etc. É dinâmica! Foi muito bom ter introduzido os (tratamentos) de casos precoces. Agora, porém está faltando medicação na ponta, porque os Ministros anteriores não tiveram o cuidado de treinarem a população para irem buscar ajuda rapidamente. As pessoas ficavam, como na França, em casa, esperando ficar pior. E quando ficassem muito graves, elas iriam buscar ajuda. Ao mesmo tempo nós tínhamos uma questão bastante delicada que é não dar tratamento para ninguém. Então também não adiantava muito buscar ajuda. Agora que nós temos tratamento, e que está previsto, nós precisamos treinar também os médicos, porque eles estavam tão apavorados que não poderiam prescrever um remédio, e com tal medo que um fármaco, que existe há mais 50 anos e que foi usado no mundo inteiro (já foram 20 bilhões de doses), iria dar muitos efeitos colaterais.

Remédio que foi considerado seguro pela American Cardiology Society, que, portanto, era seguro até agora. Antes então se usava por semanas ou meses sem problemas. Mas agora que você usa por cinco dias para tratar de Covid19, se fala que causa muitos problemas no paciente que está relativamente bem. Temos ainda um problema de treinamento dos médicos. Nós temos quase 10 mil voluntários no Brasil e estamos tentando trata-os e treina-os.

P.: O que a Sra. acha da ação da OMS desde o começo da pandemia até agora?

R.: Ela teve várias idas e vindas: falou inicialmente que o vírus não passava de pessoa para pessoa, antes que não passava de animal para as pessoas, depois que passava de pessoa para pessoa. Demorou para indicar o uso de máscaras, demorou para indicar a pandemia. Na questão da hidroxicloroquina imediatamente ela aceitou estudo do The Lancet com os 96 mil pacientes fraudados. Houve uma série as idas e vindas que não foram muito tranquilas, tem também a questão do lockdown para todo mundo e quando a gente começou a morrer de fome, aí eles voltaram atrás e falaram que talvez não desse para fazer lockdown. Eu acho que assim a OMS acabou sendo bastante desacreditada nesse período e ocorreu um problema sério, por que as pessoas queriam seguir as normas da OMS no Brasil e isso atrapalhou muito o fluxo do tratamento precoce.

P.: Muitas expectativas foram despertadas pelo avanço na preparação e posterior produção e distribuição de uma ou mais vacinas aptas a combater o vírus. O que a Sra. acha desse investimento bilionário por parte de Governos e Empresas farmacêuticas, incluindo nessa corrida ca. de 140 diferentes laboratórios?

R. A Ciência precisa evoluir. Agora existe também uma expectativa muito grande em torno da vacina, quando se já tem um tratamento. Nós já temos uma terapia que trata precocemente e você desacredita esse tratamento o tempo todo, afirmando que ele não é eficaz, que o vírus nunca vai ficar bom e nunca vai sair do corpo e você vai ter uma segunda e uma terceira onda, “fique com medo sempre”! E então fica-se muito passivo pensando nessa solução. Eu acho que em toda essa questão o mundo ainda vai ter que amadurecer para vacinas seguras, com tempo. Sou imunologista e sei que precisamos de um tempo grande para que a vacina seja testada, para ter segurança, para ver se os anticorpos são neutralizantes, se vão durar por mais tempo, se o nível de imunização é bom. Eu acho que vai ter muita gente imunizada espontaneamente. Quanto tempo demorou entre a Sars e a Mers e o surgimento desse Coronavírus? Se você tiver um tratamento imediato, rápido, você não tem tanto medo assim.

Então acho que tem aí uma coisa que deveria ser não obrigatória, porque no momento que ela se torna obrigatória, você esquece toda a imunidade de todo mundo que já passou por isso.

P.: O que a Senhora acha do desempenho do Brasil na pandemia? Quais as falhas, quais os sucessos?

R.: O maior desastre foi a corrupção envolvida nas compras de medicamentos, de aparelhos e esse foi um grande desastre. Eu acho que a gente não pode ter jogos de interesses em um momento tão grave. Eu fiquei muito triste com que a gente viu acontecer. Outro foi essa guerra de narrativas. Eu direi que mesmo assim, nós fomos bem. Porque se você imaginar que nós descolapsamos e conseguimos orientações no Conselho Federal de Medicina, da qual eu participei diretamente, onde eu trouxe todos os dados e fizemos parte da nota técnica, onde nós conseguimos tratar tanta gente em meio a tantas dificuldades, tantas agressões pessoais, inclusive contra mim, eu posso dizer que nós conseguimos salvar muitas pessoas.

Muitas pessoas ficaram bem e quem sabe também tudo isso ajudou a escancarar as portas para que se observasse melhor o sistema e também essa dificuldade entre os diversos Poderes, legislativo, executivo e judiciário, trouxe uma dificuldade em uma resposta ágil à pandemia. Cada vez que eu tentava fazer alguma coisa, tinha inúmeros bloqueios. Então eu diria até, que dentro de todas essas forças contrárias, essa guerra de narrativas, essas situações de conflito de interesse, que o Brasil foi bem. Estamos falando de um País Continental com muitas formas diferentes de viver e isso também deve ser avaliado, quando você fala de um isolamento e as pessoas moram de 6 a 8 da mesma família em um quarto em uma Comunidade. Então nós precisamos individualizar também o distanciamento social, individualizar os departamentos e darmos acesso aos tratamentos precoces da nossa população.

P.: Quais Países considera virtuosos, quais enfrentaram melhor a pandemia? Quais as melhores práticas?

R.: Alguns países asiáticos, por exemplo Cingapura e Coreia do Sul, tiveram um bom desempenho. O Japão também foi muito bem. Agora a Índia teve um papel muito interessante porque é um país muito parecido ao nosso, em termos de população, de pobreza, de densidade demográfica, que inclusive é maior do que a nossa. E que apesar disso, teve um dos menores índices de letalidade no mundo. Além disso, a Índia parou de exportar para nós. Tivemos consequentemente que dizer ao Primeiro-Ministro da Índia que no Brasil não havia mais insumos para produção de hidroxicloroquina. Enquanto eles usaram a hidroxicloroquina preventivamente, nas pessoas, nos Funcionários da saúde, e usaram-a também nos pacientes e nos contactantes (pessoas em torno do infectado), tendo assim um dos menores índices de mortalidade do mundo. Agora no Japão, que tem uma excelente educação, tiveram fases difíceis, mas de uma maneira geral eles também mostraram que a educação e o distanciamento social, máscaras etc. eram importantes. A Alemanha, por sua parte, fez uma questão com testes. Eles testaram, usaram o isolamento e distanciamento social, home office, protegeram os idosos e fizeram também os seus tratamentos. Então acho que esse conjunto de medidas deu certo. Algo que eu aprendi é que não se deve acreditar que uma pandemia possa ser tratada da mesma forma em todos os lugares de um País. Você tem que ter um tratamento diferenciado para cada área. De uma maneira geral os Países podem ter entre si aspectos culturais que facilitem alguma coisa e que não é “ou (um) ou (outro). Por exemplo, se a Suécia, além de aceitar aquela vida sem restrições etc., tivesse feito um tratamento precoce, quem sabe ela não teria tido um aumento na letalidade da doença em relação aos Países vizinhos. Porém, em relação aos Países mais pobres, ela se deu melhor. Eu acho que têm características que podem ajudar. Nos Estados Unidos, pequenas áreas que fizeram um tratamento precoce estão muito melhor do que outras. Com uma politização enorme, um FDA (Food and Drug Administration, n.d.r.) também com vários conflitos de interesse eles tiveram muita dificuldade de implementar os tratamentos e agora parece que estão conseguindo retomar alguns aspectos. Eu estou em contato com eles também. A Itália, para nós, teve períodos dificílimos, mas foi de lá que veio para mim a informação de que estavam sendo tratados os médicos, os profissionais da área da Saúde com Hidroxicloroquina, Azitromicina e Zinco. Recebi as informações desse tratamento e vi também que as Farmácias estavam vendendo os fármacos relacionados a ele, principalmente no norte da Itália.

P.: Que lições podemos tirar desta pandemia do ponto de vista da saúde das pessoas e do sistema sanitário?

R.: Pessoas que se cuidavam mais se saíram melhor, por ex. aquelas que não eram obesas, hipertensas, diabéticas ou que não tinham problemas cardíacos. Então quem não tinha comorbidades, performou melhor. O que significa que quem cura mesmo é o sistema imunitário. Esse tratamento precoce só facilita a diminuição da carga viral para que o próprio indivíduo consiga superar e se imunizar. Quem trata é o sistema imunológico. Os sistemas sanitários que já tinham suas estruturas melhores conseguiram evitar o colapso e aqueles que assumiram os tratamentos mais precoces conseguiram se sair melhor, o que aconteceu, por exemplo, com os sistemas de saúde da Unimed do Norte e Present Senior no Estado de São Paulo.

Outra coisa é que nunca se viu tanta discussão em torno de pesquisa clínica no mundo. Então eu acho que a população em geral vai ficar mais madura para clinical trials, para entrar em pesquisa. E a medicina sofreu um escrutínio, parece que descortinou todos os conflitos de interesse que havia no mundo. Então eu espero que a gente amanheça com um mundo melhor.

P.: Quer fazer um apelo às Instituições médicas brasileiras e internacionais? Tem uma mensagem de esperança sobre o tratamento da doença e o seu fim?

R.: Eu acho que a gente deve se irmanar, buscar um conjunto de ações sistêmicas e parar com essa disputa por questões que são inadequadas para a saúde da população. Espero que nós possamos curar o mundo da tristeza, da falta de ética, da falta de verdade, da falta de transparência e que possamos ser pessoas mais nobres, mais inteiras, mais determinadas e mais unidas entre si por um bem comum.

São Paulo, 21/7/2020

 

Mario Panaro

Ex Cônsul Geral da Itália

Coordenador pelo Brasil e pela América do Sul (com o Dr. Juan Bertoglio)

 

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